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UFC Rio coloca futuro de José Aldo em xeque e vê renascimento de Belfort



Ao contrário do que muitos poderiam imaginar, o UFC 212, realizado no último sábado (3), no Rio de Janeiro, foi recheado de emoção. Mesmo com poucos nomes de peso, o card teve pouquíssimas lutas mornas, alguns nocautes, diversas finalizações e até mesmo um novo campeão. No entanto, o grande destaque do evento ficou por conta de José Aldo, que depois da derrota está com o futuro ainda mais aberto na organização, e Vitor Belfort, que foi da “aposentadoria” ao renascimento.
José Aldo estava muito confiante sobre uma vitória sobre Max Holloway. Durante a semana que antecedeu o evento, e até alguns meses atrás, o brasileiro já fazia planos para qual seria seu futuro dentro do UFC. Para ele, a vitória era certa e isso lhe daria muita força para começar “dar as cartas” na organização, como ele mesmo classificou.
Com uma vitória, Aldo teria consolidado seu domínio nos penas, tendo vencido praticamente todos os rivais de peso da divisão, o que lhe deixaria em ótima posição para fazer pedidos mais ousados para Dana White, como, por exemplo, subir de divisão e até mesmo ir atrás de superlutas dentro da organização. O brasileiro, inclusive, já tinha até mesmo alguns nomes na sua cabeça para sugerir para o chefão do evento – como ele mesmo revelou.
O problema é que nada disso foi combinado com Max Holloway. O havaiano até ficou com alguma fama de falastrão por causa das provocações para Aldo, mas, assim como Conor McGregor, provocou (dentro e fora do octógono), irritou e cumpriu sua palavra. Nocauteou o brasileiro no terceiro round, unificou o cinturão dos penas e jogou um balde de água fria nos planos do ex-campeão.
Agora, é difícil saber o que vai acontecer. Por mais que Max Holloway tenha deixado abertura uma possível revanche com o brasileiro no Havaí, está clara que essa não é a intenção do UFC, que deve colocá-lo no caminho do novo campeão linear Frankie Edgar, já duas vezes derrotado por Aldo, e que estava presente no Brasil para acompanhar o evento realizado no Rio de Janeiro.
Sem um cinturão, Aldo perde força para barganhar superlutas. Pode ser que seu futuro seja realmente subir aos leves, categoria que tem McGregor como campeão, mas, agora, a caminhada deve ser maior até uma possível luta pelo título.
DA “APOSENTADORIA” AO RENASCIMENTO
Se para José Aldo o UFC Rio foi considerado uma catástrofe, para Vitor Belfort não poderia ter sido melhor. É claro que a vitória – a primeira desde 2015 – poderia ter vindo com o tão esperado nocaute, mas o triunfo por decisão unânime sobre o veterano Nate Marquardt, seu primeiro desta maneira na organização, serviu para apresentar um novo Fenômeno aos torcedores e deu uma motivação extra ao brasileiro, que chegou ao Rio falando em aposentadoria, mas deixou o octógono com a promessa de fazer pelo menos mais cinco lutas.
Há um mês, Belfort havia anunciado sua luta como a última da carreira. Depois, afirmou que era apenas a derradeira dentro do UFC, mas que ele continuaria lutando. Por fim, após a publicação de que ele teria mais um combate por contrato com a organização, disse que esperava seguir trabalhando para Dana White e se empolgou após a vitória sobre o norte-americano, afirmando que possui a intenção de subir pelo menos mais cinco vezes dentro de um cage.
A mudança de postura tem muito a ver com o novo Belfort que os torcedores assistiram já na madrugada do último domingo (4). O brasileiro, que era conhecido por sua explosão no primeiro round e nocautes marcantes dentro do octógono, fez uma luta mais estratégica, pensada, sem correr muitos riscos e dar alguma brecha ao rival. Méritos de Firas Zahabi, treinador da Tristar Gym, academia canadense onde Vitor fez sua preparação para o UFC Rio – é a mesma onde treina a lenda Georges St-Pierre.
“A palavra que o Firas Zahabi falou comigo foi “paciência”. O objetivo era deixar o Fenômeno lutar e o Vitor Belfort ficar assistindo, e foi mais ou menos isso que aconteceu. A torcida gritando e eu pensava: “Nossa, agora vou para cima”. E falava comigo: “Não, isso é tudo que ele quer”. Tive calma, paciência, curti”, disse Belfort durante a coletiva.
Apesar da vitória e do renascimento na organização, seu futuro, assim como o de José Aldo, também é recheado de incertezas. Belfort, no entanto, está aberto para diversas situações, como ele mesmo destacou durante a semana do evento.
Além das cinco lutas prometidas, que ninguém sabe se serão no UFC ou em alguma outra organização, Belfort voltou a falar sobre a criação da “Liga das Lendas”, um de seus sonhos, e até mesmo de trabalhar como um executivo da companhia, ajudando ainda mais no desenvolvimento da modalidade, melhorando a parte de segurança dos atletas dentro do octógono.
“Estou muito feliz com o UFC. É onde quero estar. Sobre contrato, tenho uma equipe muito boa que trabalha para mim. Tenho certeza que meu desejo é fazer com que o UFC se torne não só um grande entretenimento, mas se torne um grande esporte. Que os lutadores possam entender isso, precisamos que os dois cresçam, os lutadores e o UFC”, acrescentou o Fenômeno, antes de finalizar.
“Pretendo lutar, pretendo ganhar muito dinheiro. Tenho que cuidar do meu treinamento, estar mais preparado para a próxima luta. Estou pensando já onde a gente vai, o que temos que fazer, estava no vestiário conversando sobre algumas coisas que temos que adaptar. Meu trabalho é esse”, finalizou após o combate.”