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MP-GO denuncia 10 pessoas por desvio de R$ 2 milhões das bilheterias do Mutirama e do Zoo de Goiânia


Entre os denunciados estão o vereador Zander Fábio (PEN), o ex-presidente de Agetul, Dário Paiva, e o ex-diretor financeiro do Mutirama, Geraldo Magela, apontados como chefes do esquema.


Ministério Público Estadual (MP-GO) protocolou, nesta sexta-feira (25), uma denúncia contra 10 pessoas suspeitas de desviar mais de R$ 2 milhões das bilheterias dos parques Mutirama e Zoológico de Goiânia. Entre os denunciados estão o vereador Zander Fábio (PEN), o ex-presidente de Agetul, Dário Paiva, e o ex-diretor financeiro do Mutirama, Geraldo Magela, apontados como chefes da organização criminosa.
De acordo com o promotor de Justiça Ramiro Carpenedo, membro do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o grupo fraudava os ingressos, duplicando bilhetes que já tinham sido vendidos, reutilizando tickets intactos e fazendo a declaração financeira de apenas parte do que era arrecadado nas bilheterias.

“Eles se auxiliavam de uma gráfica, que além de fazer oficialmente os ingressos do Parque Mutirama, mediante um contrato com procedimento administrativo, tinha um contato muito próximo com um dos chefes do esquema, que se fazia valer desta gráfica para fazer ingressos duplicados, falsos, por meio de pedidos para impressão de ingressos por fora. De 2014 a 2015 foram, pelo menos 19 vezes”, disse o promotor.

Por telefone à TV Anhanguera, a defesa de Geraldo Magela negou as acusações, e informou que faltaram provas contundentes na denúncia. Disse ainda que Geraldo foi apontado como suposto chefe da organização criminosa por exercer cargo de confiança no parque. Por fim, disse que os delatores quiseram terceirizar suas responsabilidades e que a inocência de Magela ficará comprovada.
O advogado do vereador Zander Fábio, Tito Souza do Amaral, comunicou ao G1, por telefone, que a defesa ainda não foi informada sobre o teor da denúncia, e que, ou o MP ofereceu uma "denúncia temerária", ou "não mostrou todos os elementos da investigação".
"Pelo que a defesa teve acesso, a denúncia é fantasiosa. Porque não há indícios que comprovem a prática de crineme nenhum, tampouco a presença de uma organização criminosa", destacou o advogado.

Já Dário Paiva comunicou que vai se pronunciar quando tiver conhecimento da denúncia.
A denúncia corresponde à primeira fase da Operação Multigrana, realizada no último dia 23 de maio. Foram cumpridos quatro mandados de prisão temporária, cinco de condução coercitiva e 12 de busca e apreensão em Goiânia, Aparecida de Goiânia e Senador Canedo. Os detidos saíram do presídio antes do fim do prazo dos mandados de prisão, segundo o MP.
MP-GO denuncia 10 pessoas por desvio de dinheiro do Mutirama e do Zoológico
Esquema
Além dos três denunciados como chefes do esquema, o MP-GO protocolou denúncia também contra outras sete pessoas suspeitas de terem se beneficiados com o esquema. São eles Clenilson Fraga da Silva, Davi Pereira da Costa, Deoclécio Pereira da Costa, Fabiana Narikawa Assunção, Larissa Carneiro de Oliveira, Leandro Rodigues Domingues e Tânia Camila de Jesus Nascimento de Sousa.
Conforme documento obtido pela TV Anhanguera, Larissa afirmou ao MP-GO que Geraldo Magela fechava o caixa da bilheteria e alterava os valores antes de entregar o relatório para o ex-presidente da Agetul. Ela afirmou que se beneficiou com R$ 30 mil dos desvios.
O G1 tentou contato, por telefone, com Larissa, mas as ligações não foram atendidas até as 14h desta sexta-feira. O G1 não conseguiu contato com demais denunciados citados.

“Em maio de 2016, Dario Paiva assumiu a presidência da Agetul, por expressa e clara indicação política do vereador Zander. Com a assunção de Dario Paiva, foi constatado, desde já, que o esquema foi canalizado para fins pessoais e político-partidários, tanto para a própria campanha que ele viabilizava, quanto para políticos aliados como Zander”, afirmou Carpenedo.
De acordo com o promotor, foram identificados depósitos em altos valores destinados à campanha eleitoral de Zander, cujas cifras coincidem com as desviadas da bilheteria do parque. Além disto, alimentos arrecadados em eventos do órgão eram usados para benefício do parlamentar.

“Temos provas de alimentos arrecadados em eventos da Agetul que foram usados em proveitos do vereador Zander. Conseguimos identificar depósitos feitos por Zander em valores altos, em espécie, para sua própria campanha. Este esquema durou até o final de 2016, quando Dario Paiva saiu da autarquia”, pontuou.

Os envolvidos foram denunciados por organização criminosa e peculato.
O promotor destaca que, apesar da denúncia corresponder ao período em que Dário Paiva era presidente da Agetul, a investigação continua para apurar se os desvios aconteceram em períodos anteriores e posteriores ao fato.
“Esse material apreendido foi encaminhado para a equipe técnica, para a equipe de estatística, e foi feito um estudo científico. Isso não quer dizer que não houve desvio anterior, ou posterior, mas esta vinculação foi feita, até o momento só em relação a este período”, explicou.

Caixa 3
Além do esquema operado com o aval da diretoria, a investigação do Ministério Público identificou também que funcionários do parque praticavam desvios por conta própria, para benefício pessoal.

“Ele era feito diretamente pelos funcionários, para proveito próprio, sem o conhecimento destes gestores. Funcionários que recebiam R$ 2 mil de renda oficial, mas que tinham quantias vultuosas em casa, completamente incompatíveis aos salários declarados”, disse o promotor.
G1