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Modelo de 14 anos morre 2 dias após desmaiar por excesso de trabalho


Russa ganhava R$ 27 por dia e trabalhou 13 horas em evento na China.


A modelo russa Vlada Dzyuba, de 14 anos, morreu após seguir, segundo parentes e amigos, uma rotina exaustiva durante uma temporada trabalho em Xangai na China. A jovem, contratada para um evento de moda, tinha trabalhado 13 horas seguidas em desfiles. Ela desmaiou de exaustão. Foi internada e, no hospital, diagnosticada com meningite crônica — causada, de acordo com os médicos, pelo excesso de trabalho. Ela ficou em coma e morreu na última sexta (27), dois dias depois de dar entrada no hospital 

A equipe que a atendeu escreveu em um relatório que ela sofreu "um esgotamento severo antes de contrair a doença". A mãe, Okea, relatou que filha tinha ligado para ela dias antes queixando-se de esgotamento. "Não tenho tempo para descansar", foi o que ela me disse. "Vlada revelou ainda: 'Estou muito cansada, A carga de trabalho não deixa as modelos tirarem folga'" 

Contratada pela agência chinesa ESEE, ela estava participando da Xangai Fashion Week  

Vlada estava ganhando o equivalente a R$ 27 por dia. Essa é a quantia que sobrava, líquida, para a modelo. O restante era usado pela ESEE para pagar tarifas aéreas, hospedagem e alimentação. Vlada estava trabalhando na China havia dois meses.

A modelo, que nasceu em Perm, centro-oeste da Rússia, ainda estudava e tinha um contrato de três meses com a agência chinesa, sediada em Pequim. O documento foi assinado junto à Smirnoff Models, empresa para a qual Vlada trabalhava em São Peterburgo.

Ela pesava 58 kg e iria completar 15 anos em novembro.
"Ela teve um colapso", informou uma amiga. "Uma estafa de tanto trabalhar" 

'Ela tinha acabado de cumprir 13 horas seguidas, depois de vários dias com agenda cheia, da manhã à noite, com diversos desfiles, ensaios, rigidez no horário, pressão por participar do máximo de horas possíveis nas passarelas", ela completou. O Xangai Fashion Week é dos mais conhecidos eventos de moda na Ásia.

A modelo desmaiou depois de passar as 13 horas seguidas desfilando no evento de moda, confirmou o jornal Siberian Times 

Levada a um hospital, entrou em coma logo após a internação. Médicos constataram que ela estava com meningite, causada, dizem eles, pelo excesso de trabalho. Após dois dias, ela não resistiu e acabou morrendo. 

A agência para a qual a garota trabalhava, a ESEE, negou com veemência a carga imposta à modelo

Informa, contudo, em nota, que o contrato não previa esse excesso de trabalho: "Não havia limite para o trabalho diário", admitiu a agência.

Em seu último dia de trabalho, na quarta (25), ela fez esse ensaio para um catálogo de joias. Quarenta e oito horas depois, ela faleceu no hospital

"A agência está profundamente abalada pela morte de Vlada. Era uma garota muito amável e trabalhou para nós nos últimos dois anos", lembrou a nota da empresa.

Pelos três meses de trabalho, o contrato que ela assinou previa o pagamento de cerca de R$ 10 mil. Mas, com os descontos previstos no documento relativos a despesas, ela acabava recebendo cerca de R$ 810 por mês.

Os pais de Vlada disseram não ter dinheiro para fazer o translado do corpo. Por isso, haverá uma cerimônia de cremação na China

O caso expõe, segundo o jornal, a situação de outras modelos russas que vão trabalhar na China, sob condições extenuantes de trabalho. Elas assim um contrato por um valor alto, mas acabam recebendo bem menos em razão dos descontos bem polpudos de despesas

Muitas modelos russas estão viajando para a China em busca de impulsionar a carreira. As agências não incluem no contrato itens como seguro saúde nem convênio médico — caso dessa agência que contratou Vlada

Zheng Yi, diretor executivo da ESEE Model Management, admitiu que ela trabalhou em 16 eventos nos últimos vinte dias. Lembrou que as modelos trabalham em médias oito horas por ia, mas o contrato não estipulava a quantidade de horas cumpridas por dia

Modelos e produtores russos denunciaram nas redes sociais que as agências chinesas "exploram menores de idade e são desumanas em relação às condições de trabalho". Algumas chegaram a dizer que as funções delegadas são "similares à escravidão"

Segundo informou o britânico Daily Mail, Vlada não procurou ajuda médica porque, como contaram parentes e amigos, ela ficou com medo de informar as pessoas que a contrataram

"Ela trabalhava como se fosse escrava. Não tinha limite diário de horas. E você ainda fica devendo ao final do trabalho", disse uma garota que não quis se identificar

Antes de a garota viajar, a mãe de Vlada, Okea Dzyuba, fez essa foto dela com o irmão, Danil, e sua irmã, recém-nascida

"Ela sonhava com uma carreira lucrativa na indústria da moda", conta a mãe, que trabalha numa revista de moda na Rússia. "Mas lógico que não sabia que o esquema de trabalho era tão massacrante" 

"Se eu soubesse que o contrato tinha cláusulas tão desumanas, ao não estabelecer horários diários e longas pausas para o descanso, não teria deixado minha filha viajar para a China", diz Okea

"Na última vez que falei com minha filha pelo telefone, ela estava com voz de quem estava bem cansada e abatida. Reclamou do excesso de trabalho, que sentia dores pelo corpo e "vontade de dormir e descansar"