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O brasileiro quer ser governado por um corrupto

Mesmo encarcerado, Lula continuará sendo uma peça decisiva no incerto tabuleiro de nosso cenário eleitoral. Cresce a importância de Luciano Huck.



E o Lula, hein? Inelegível, corrupto, lavador de dinheiro – e, portanto, tecnicamente um sonegador – Lula segue liderando a pesquisa de intenção de voto para a presidência da República.
Exímio comunicador de massa, o metalúrgico que presidiu o Brasil por 8 sucessivos anos deve se tornar em breve um presidiário.
Nada disso mudou a preferência de mais de um terço do eleitorado por seu líder carismático.
Mesmo que venha a ser encarcerado, ele continuará sendo uma peça decisiva no incerto tabuleiro de nosso cenário eleitoral.
O Datafolha mediu potencial de transferência de votos e rejeição. Não chegam a ser excelentes para ele e seu PT, mas, comparado aos demais (Temer e Alckmin, inclusive), Lula prova, dia após dia, que os outros partidos simplesmente não têm quadros para fazer frente a ele – ou a candidato apoiado por ele – nas urnas de outubro.
Outro ex-presidente, Fernando Henrique Cardoso, que lançou Luciano Huck e não esconde sua simpatia pela candidatura do apresentador, é que deve ter ficado feliz com a primeira pesquisa divulgada depois da condenação de Lula, na semana passada, na segunda instância.
O candidato oficial dos tucanos, Geraldo Alckmin, dono de potente máquina partidária e, portanto, de tempo na televisão durante a campanha, não decola.
Já Huck, entra pesquisa sai pesquisa, parece confirmar a impressão de que é o outsider com mais potencial para herdar eleitores do líder messiânico.
Que ano nos espera…

Política, economia e outros temas do momento

Bolsonaro lidera em cenário sem Lula, diz Datafolha

Ex-presidente, no entanto, mantém índices de intenção de voto mesmo após condenação pelo TRF4


Na primeira pesquisa após o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ser condenado em segunda instância, o que pode torná-lo inelegível pela Lei da Ficha Limpa, o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) surge como líder absoluto. Nas quatro simulações feitas nos dias 29 e 30 de janeiro pelo Instituto Datafolha, o parlamentar aparece com índices de intenções de votos que variam entre 18% e 20%. Em dezembro, Bolsonaro somava entre 21% e 22% nos cenários sem o petista.
A pesquisa foi feita na segunda-feira (29) e na terça-feira (30) — após, portanto, o julgamento no TRF4, que ocorreu na quarta-feira, 24. O levantamento foi divulgado na madrugada de hoje (31) pela Folha de S.Paulo. O Datafolha entrevistou 2.826 pessoas em 174 municípios. A margem de erro é de 2% para mais ou para menos.
Na ausência de Lula, os ex-ministros Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede)aparecem na segunda colocação em dois cenários cada um. Ciro soma entre 10% e 13% das intenções de voto — em dezembro, tinha entre 12% e 13%. Já Marina aparece com 13% e 16% — em dezembro, tinha 16% e 17%.
Nos três cenários em que é testado sem a presença do ex-presidente, Geraldo Alckmin (PSDB) aparece com 8% e 11% das intenções de voto. Luciano Huck (sem partido) tem 8% na simulação em que foi incluído. Alvaro Dias (Podemos)tem entre 5% e 6%. João Doria (PSDB) e Joaquim Barbosa (sem partido) foram incluídos em apenas uma simulação cada, na qual aparecem com 5% dos votos.
O ex-ministro e ex-governador Jaques Wagner (PT-BA), eventual substituto de Lula na corrida presidencial, caso o ex-presidente fique inelegível, aparece com 2% dos votos em dois cenários. 
Nas simulações de segundo turno, Bolsonaro perde para Marina (42% a 32%) e empata tecnicamente com Alckmin (35% a 33%).

Com Lula

Mesmo após ter a condenação por corrupção e lavagem de dinheiro confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), Lula manteve os índices de intenção de voto na corrida presidencial que tinha em dezembro. O petista lidera os cinco cenários em que é incluído, com entre 34% e 37% da preferência do eleitorado — mesma faixa do levantamento de dezembro. O deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) vem em segundo lugar, com 15% a 18% das intenções de voto — no mês passado, o parlamentar tinha entre 17% e 18%. 
Nos cinco cenários que incluem Lula, o terceiro lugar apresenta empate técnico. Na primeira simulação, Geraldo Alckmin (PSDB) e Ciro Gomes (PDT) têm 7% e Joaquim Barbosa (sem partido), 5%. No segundo cenário, Alckmin e Ciro mantêm os 7%, e Alvaro Dias (Podemos) tem 4%. 
Na terceira simulação, Marina Silva (Rede) aparece com 8% e Luciano Huck (sem partido) tem 6% — mesmo porcentual de Alckmin e Ciro. Numa quarta hipótese, Marina tem 10%, Ciro, 7%, Dias, 4% e João Doria (PSDB), 4%. 
Um quinto cenário apresenta Marina com 7%, Alckmin e Ciro com 6% Huck com 5%, Barbosa e Dias com 3% — neste caso, o presidente Michel Temer, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ficam com 1% cada.
No segundo turno, Lula venceria Alckmin (49% a 30%) e Marina (47% a 32%) e Bolsonaro (49% a 32%).
(Com Estadão Conteúdo)