Quadrilha lavava dinheiro do tráfico com falsa pílula do câncer - PALMELO NEWS

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sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Quadrilha lavava dinheiro do tráfico com falsa pílula do câncer

Esquema investigado pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul também atuava na revenda de automóveis de luxo e mercado de pedras preciosas.


A esperança de cura para pacientes com câncer foi utilizada para lavagem de dinheiro do tráfico de drogas por uma quadrilha do Rio Grande do Sul. A quadrilha comercializava a polêmica “pílula do câncer”, a fosfoetanolamina, por vendas na internet a partir de Miami, nos Estados Unidos. As cápsulas, porém, sequer continham a fosfoetanolamina na composição, informou o delegado Marcio Zachello, da Delegacia de Repressão ao Crime de Lavagem de Dinheiro (DRLD), a VEJA. No Brasil, a venda da fosfoetanolamina é proibida por falta de eficácia comprovada, mas usuários podem importá-la como suplemento alimentar.
A descoberta da Polícia Civil é resultado da Operação Placebo, deflagrada na última quinta. A operação investiga o tráfico de drogas em Porto Alegre e na região metropolitana. A polícia também investiga a lavagem de dinheiro a partir da revenda de carros de luxo, mercado de pedras preciosas, empresas offshorenos Estados Unidos e no Uruguai e também do comércio de fosfoetanolamina falsa. Uma coleção de 27 automóveis de luxo como Corvette, Jaguar e Mercedes, no valor de milhões de reais, foi apreendida. Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em Porto Alegre, Viamão, Alvorada e Canoas. Dezesseis passaportes foram retidos, 33 contas bancárias foram bloqueadas e uma pessoa foi presa em flagrante, mas solta após pagar fiança de 50.000 reais. Além disso, 130 frascos contendo noventa cápsulas de fosfoetanolamina falsa foram encontrados.
“A investigação iniciou-se há quatro meses com foco na lavagem de dinheiro do tráfico. Porém, enquanto desenvolvíamos a investigação, descobrimos que um dos investigados comercializava a fosfoetanolamina”, contou Zachello a VEJA . Enquanto a polícia investigava, a RBS TV, de Porto Alegre, descobriu o esquema da fosfoetanolamina e enviou cápsulas para a Universidade de Campinas (Unicamp), que concluiu que as pílulas não continham a substância prometida.
Entretanto, o advogado Daniel Gerber, que defende a fabricante do suplemento Phospho Ethanolamine, sustenta que “a investigação nasceu por força de declarações falsas que trazem por objetivo prejudicar comercialmente a empresa e os consumidores de um produto aprovado pela própria FDA norte-americana, situação esta que já está sendo devidamente esclarecida às autoridades públicas”. A empresa é o Laboratório Federico Diaz, com sede no Uruguai, que nega irregularidades na fabricação e comercialização do produto.
“A gente entendeu a necessidade de acelerar a ação porque depois de divulgarem a reportagem, eles [investigados] saberiam que teriam alguma ação e poderiam sumir com provas e ocultar bens”, explicou o delegado sobre a ação da última quinta.
A ação também teve apoio do Ministério Público. Em nota do órgão, o promotor Marcelo Tubino chama de “repugnante” o comércio das pílulas sem o princípio ativo prejudicando ainda mais “consumidores em prováveis condições de vulnerabilidade”.




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