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Estudante quebra os dois cotovelos após levar rasteira de colega em escola de Goiatuba

Garoto, que precisou ser operado, diz que era vítima de bullying e que não quer mais voltar para a escola. Delegado afirma que trata caso como uma 'brincadeira irresponsável'.


Um estudante de 16 anos quebrou os dois cotovelos após levar uma rasteira de um colega, da mesma idade, na Escola Estadual Maria de Lourdes Estivalet Teixeira, em Goiatuba, região sul de Goiás. Por conta das fraturas, Lucas Lourenço Lima precisou ser operado, terá que fazer fisioterapia e ainda não pôde - nem quer - voltar às aulas, pois afirma que era vítima de bullying. A Polícia Civil apura o caso.

Em nota enviada ao G1, a Secretaria de Estado de Educação, Cultura e Esporte (Seduce) informou que o estudante “não terá sua aprendizagem prejudicada” e que Lucas “já está sendo atendido pedagogicamente em casa, por meio do projeto Hoje, da Gerência de Ensino Especial”.

A secretaria disse ainda que o aluno e a família “receberam toda orientação e assistência cabível ao fato pela direção da escola e pela Coordenação Regional de Educação, Cultura e Esporte (Crece) de Goiatuba” (veja íntegra da nota no fim da reportagem).

De acordo com a mãe de Lucas, a gari Celma Maria Lourenço, de 39 anos, logo após a queda, ela levou o adolescente até uma unidade de saúde de Goiatuba. Devido à gravidade do caso, ele foi encaminhado para o Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), onde passou pela cirurgia.

O procedimento foi realizado no cotovelo direito, onde demandou a colocação de um pino. O esquerdo precisou ser engessado. Celma contou que, antes do ocorrido, o filho pedia para não ir à escola, mas ela achava que se tratava de preguiça dele.

"Ficamos duas semanas em Goiânia. Quando voltamos para casa é que ele contou que era vítima de bullying na escola por ser muito calado e quieto. Fiquei surpresa, pois nunca havia percebido nada", disse ao G1.

Lucas, que se recupera em casa, cursa no 9º ano do ensino fundamental. O caso aconteceu no último dia 6 de março, no pátio, durante o recreio. Quase dois meses depois, ele ainda se recupera da operação em casa. O garoto diz que era vítima de ofensas dos colegas e que não deseja voltar ao colégio.

"Eles me xingavam, noiadinho, paradão, porque eu era quietinho. Quero mudar de escola", afirma.
A diretora da escola, Thaisa Borges Félix, disse afirmou que todos foram pegos de surpresa com o caso, já que a instituição faz campanhas contra todo tipo de discriminação.

"Ele [aluno que deu a rasteira] me confessou muito arrependido. Dei três dias de suspensão para ele e convoquei os pais”, conta.

Estudante quebra os dois cotovelos após levar rasteira de colega em escola  (Foto: TV Anhanguera/Reprodução) Estudante quebra os dois cotovelos após levar rasteira de colega em escola  (Foto: TV Anhanguera/Reprodução)
Estudante quebra os dois cotovelos após levar rasteira de colega em escola (Foto: TV Anhanguera/Reprodução)
Investigação
Indgnada, a mãe registrou uma ocorrência da delegacia de Goiatuba. O delegado responsável pelo caso, Patrick Carniel, disse que já ouviu os depoimentos da vítima, colegas e funcionários da escola. O depoimento do garoto que deu a rasteira deve ocorrer ainda nesta semana.


"Falei informalmente com os pais. Eles informaram que o garoto admtiu ter dado a rasteira, mas alegaram que ele não agiu com o intuito de machucar o colega ou mesmo praticava bullying contra ele", afirmou ao G1.

Carniel afirma ainda que trata o caso como um ato infracional análogo ao crime de lesão corporal, mas que, a priori, sem ligação com bullying. "Parece ter sido mais uma brincadeira irresponsável", sustenta.

Indignada, mãe do adolescente procurou a polícia e registrou uma ocorrência  Indignada, mãe do adolescente procurou a polícia e registrou uma ocorrência (Foto: TV Anhanguera/Reprodução)

Íntegra da nota da Seduce
"Em relação ao fato ocorrido na Escola Estadual Maria de Lourdes Estivalet Teixeira, em Goiatuba, a Secretaria de Educação, Cultura e Esporte de Goiás (Seduce) esclarece que o estudante agredido por outra colega não terá sua aprendizagem prejudicada por já estar sendo atendido pedagogicamente em casa por meio do projeto Hoje, da Gerência de Ensino Especial. 
O aluno recebe, em domicílio, a visita de um professor capacitado que ministra os conteúdos didáticos, além de propor exercícios e orientar sobre as atividades pedagógicas. O projeto Hoje presta atendimento pedagógico a todos os estudantes da rede pública estadual que, por motivos de saúde, se encontram afastados da escola. Esse atendimento é realizado tanto em ambiente hospitalar quanto domiciliar. 
A Seduce ressalta que o aluno e sua família receberam toda orientação e assistência cabível ao fato pela direção da escola e pela Coordenação Regional de Educação, Cultura e Esporte (Crece) de Goiatuba. Após o ocorrido, a E. E. Maria de Lourdes Estivalet Teixeira reforçou ainda mais as ações de combate e prevenção ao bullying de forma a conscientizar os alunos sobre a importância da cultura de paz dentro do ambiente escolar. 
A Seduce informa ainda que foi somente a partir da agressão física sofrida pelo estudante que a direção da escola tomou conhecimento de que o adolescente estava sendo vítima de bullying dentro da escola e pôde tomar as devidas providências. 
Combate e prevenção à violência 
A Secretaria de Educação, Cultura e Esporte de Goiás destaca também que, por meio de diversas ações e projetos, é constante e sistemático o trabalho de prevenção e combate à violência no ambiente educacional. Além de debates, encontros e seminários nas escolas, a Seduce também realiza formação de professores na mediação de conflitos e pela cultura de paz, além de ser parceira numa ação de âmbito nacional que é o Programa Repacificar. 
Ainda com esse enfoque, em novembro do ano passado, foi criada a Superintendência de Segurança Escolar e Colégio Militar, que tem como foco principal prestar orientação e suporte às unidades escolares e contribuir para o fortalecimento das políticas públicas nas áreas de prevenção e combate à violência.
Outra ação importante nessa área será anunciada na tarde desta quarta-feira, 25/04, pelo governador José Eliton e pelo secretário interino de Educação, Marcos das Neves, que destinará R$ 12 milhões para ações de vigilância, monitoramento eletrônico e seguro patrimonial para as escolas da rede pública estadual. Também será ampliada para todo Estado a cobertura da Patrulha Escolar, com investimento mensal de R$ 500 mil. A partir de agora, as 40 Creces terão à sua disposição duas viaturas da Patrulha Escolar para atuação constante nas escolas jurisdicionais às Regionais".