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Protesto de caminhoneiros entra no 8º dia e afeta transporte público, distribuição de gás e combustíveis em Goiás

Segundo a PRF, há 27 pontos de manifestação em Goiás. Ato contra a alta do diesel é nacional.

A manifestação dos caminhoneiros contra a alta do diesel chegou ao 8º dia nesta segunda-feira (28) e afeta vários serviços em Goiás, como transporte público, aulas nas redes públicas e privada, distribuição de gás, abastecimento de alimentos e combustíveis.

A categoria mantém pontos de concentração em rodovias do estado, mesmo com o anúncio do governo federal de usar as Forças Armadas e a Força Nacional para liberar as vias (veja abaixo como estão os serviços).

Para quem precisou do transporte coletivo, o dia foi de longa espera na Grande Goiânia. "Eu pego três ônibus. Um deles já tá com atraso de mais de dez minutos do normal. E os outros que eu peguei, o motorista vinha dirigindo mais devagar. Então, com essa situação, a gente vai trabalhar, mas não sabe se vai ter ônibus de tarde pra voltar", disse o servidor público Antônio Sérgio dos Santos Ferreira.

Por causa das manifestações, mais de 170 cidades decretaram 'emergência' e suspenderam serviços públicos por uma semana por causa da greve de caminhoneiros, informou a Associação Goiana de Municípios (AGM).

Apesar dos impactos causados pelo protesto, alguns serviços não foram comprometidos em Goiânia, nesta segunda-feira, como coleta de lixo, varrição de rua. A rodoviária da capital tem funcionamento normal até as 17h30.


Veja os principais reflexos da paralisação em Goiás:

Aeroporto

A Infraero informou que o Aeroporto Santa Genoveva funcionava normalmente até as 14h desta segunda-feira (28). Um voo previsto para 12h25, para Barra do Garças (MT), foi cancelado. Responsável pela operação, a Azul informou que ele está suspenso desde a semana passada, como parte do plano de contingência em vigor no período da greve, e que os passageiros foram reacomodados em outros voos.
Alimentos

A falta de pão em lanchonetes, padarias e fast-foods de Goiás tem sido relatada por vários consumidores. Segundo o Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria do Estado de Goiás (Sindipão), o desabastecimento ocorreu por conta da falta de trigo no mercado local, que foi agravada pela paralisação dos caminhoneiros.
Também há registro de falta de carne, leite e hortifruti no comércio da capital.
A Ceasa informou que mamão, cenoura, batata e abacate estão com o estoque baixo ou zerado. Por outro lado, como os compradores de outros estados não conseguem chegar, o tomate está com estoque regular. A caixa de 22 quilos é vendida a R$ 50.
A Associação Goiana de Supermercados (Agos) informou nesta segunda-feira (28) que faltam alimentos na maioria dos supermercados da Grande Goiânia. O problema é maior em estabelecimentos menores. Os itens mais em falta são os alimentos frescos, como frutas e verduras, além de carnes. Os que mais tiveram aumento de preço foram a batata e a cebola, normalmente vindos de Minas Gerais e São Paulo. O tomate registrou pequena queda.
Açougueiros de Goiânia afirmam que estão recebendo metade da carne que deveriam receber, em Goiás (Foto: Vitor Santana/G1) Açougueiros de Goiânia afirmam que estão recebendo metade da carne que deveriam receber, em Goiás (Foto: Vitor Santana/G1)
Açougueiros de Goiânia afirmam que estão recebendo metade da carne que deveriam receber, em Goiás (Foto: Vitor Santana/G1)

Coleta de Lixo
Prefeitura de Goiânia informou que os veículos que fazem a coleta de lixo orgânico da capital têm reserva de óleo diesel garantida até quarta-feira (30).
Em Aparecida de Goiânia, os serviços de coleta de lixo e recicláveis estão regulares, sem interrupção ou regime de escala, pois a empresa que realiza o serviço também possui estoque de combustível.
A limpeza de ruas e roçagem de lotes também segue normal na capital e em Aparecida de Goiânia.
Limpeza de ruas de Goiânia segue sendo feita de forma normal (Foto: Vitor Santana/G1) Limpeza de ruas de Goiânia segue sendo feita de forma normal (Foto: Vitor Santana/G1)
Limpeza de ruas de Goiânia segue sendo feita de forma normal (Foto: Vitor Santana/G1)
Combustíveis
70% dos postos no estado estão sem combustível nesta segunda-feira, conforme o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Goiás (Sindiposto). Entre as cidades que estão 100% sem combustível estão Rio Verde, Jataí, Piracanjuba, Catalão, Jussara, Porangatu e Luziânia.
Já na capital, 90% dos postos estão sem etanol e 35% estão sem etanol e gasolina.
A venda do etanol das usinas está suspensa porque as distribuidoras não conseguem retirar o combustível que já compraram. Além disso, 19 das 31 indústrias do estado tiveram de interromper a produção por falta de óleo diesel.
Posto de combustível está sem gasolina e etanol, em Goiânia (Foto: Vitor Santana/ G1) Posto de combustível está sem gasolina e etanol, em Goiânia (Foto: Vitor Santana/ G1)
Posto de combustível está sem gasolina e etanol, em Goiânia (Foto: Vitor Santana/ G1)

Educação
A Secretaria de Estado de Educação, Cultura e Esporte (Seduce) decretou recesso nas escolas estaduais a partir do dia 29 de maio. De acordo com a Seduce, 139 escolas já tinham uma pausa programada no calendário. Nas demais, será feito um cronograma para a reposição das aulas.
As secretarias de Educação de Goiânia e de Aparecida de Goiânia informaram que as aulas seguem normalmente nesta segunda-feira.
IFG, UEG e Unip suspenderam atividades nesta segunda-feira (28). UFG e PUC mantiveram o calendário.

Segundo o presidente de Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de Goiás (Sinepe-GO), Krishnaaor Ávila Stréglio, as aulas nas escolas particulares seguirão normalmente ao longo desta semana.

Gás de cozinha
95% das distribuidoras em Goiás já registram a falta do produto nesta segunda-feira (28), segundo o Sindicato das Empresas Revendedoras de Gás da Região Centro-Oeste (Sinergás). Segundo a entidade, o valor normal do botijão é R$ 80, mas há estabelecimentos vendendo acima de R$ 100, o que é considerado, pelo sindicato, abusivo.
Rodoviária
A Rodoviária de Goiânia afirmou que, até as 16h50 desta segunda-feira (28), não registrou nenhuma intercorrência por causa da greve dos caminhoneiros. Todos os ônibus previstos estão rodando.
Rodovias
A Polícia Rodoviária Federal informou, às 15h, que havia 21 pontos de manifestação em vias federais do estado nesta segunda-feira.
Até as 16h desta segunda-feira (28), 49 rodovias estaduais seguiam bloqueadas.
Caminhoneiros bloqueiam BR-153, em Goiânia (Foto: Vitor Santana/ G1) Caminhoneiros bloqueiam BR-153, em Goiânia (Foto: Vitor Santana/ G1)
Caminhoneiros bloqueiam BR-153, em Goiânia (Foto: Vitor Santana/ G1)

Saúde
Conforme a Prefeitura de Goiânia, as ambulâncias do Samu têm combustíveis garantidos até sábado (2). Ainda não há prejuízos na oferta de insumos, medicamentos e vacinas na rede.
O Governo de Goiás informou que algumas unidades do interior tiveram de suspender cirurgias eletivas pela ausência de insumos. Os estoques nos hospitais da capital são suficientes para atender as necessidades até sábado (2).
Em Aparecida de Goiânia, todos os veículos da frota do município estão sendo abastecidos com 15 litros, para poder priorizar as ambulâncias e de carros de transporte de passageiros em tratamento.
Farmácias do estado começaram a registrar falta de alguns remédios e baixa nos estoques dos produtos.
Transporte coletivo
Os ônibus do transporte coletivo rodam com uma frota até 40% menor em algumas linhas na Grande Goiânia nesta segunda-feira, seguindo a tabela de sábado.
Os ônibus do Eixo Anhanguera, na capital, trafegam normalmente na manhã desta segunda. A Metrobus diz que possui estoque de combustível suficiente para manter as viagens normalmente "pelos próximos dias".

Cidades do interior como Jataí e Catalão mantêm frota reduzida nos ônibus em circulação.
Transporte particular

Taxistas rodam normalmente, mas Sinditáxi afirma que metade da frota da categoria só tem combustível para operar até quarta-feira (30).
Mototaxistas também operam de forma regular. Segundo o presidente do Sindimoto, alguns profissionais estão cobrando mais caro pelas corridas, já que houve aumento da procura;
A 99, que conecta motoristas e clientes através do aplicativo de mesmo nome, informou que adotou medidas para evitar problemas por causa da crise. Segundo nota divulgada pela companhia, entre as ações está a "definição de um teto no Preço Variável" para equlibrar oferta e demanda de veículos. Nas ruas, profissionais estavam trabalhando normalmente.

Metade dos taxistas só tem combustível para rodar até quarta-feira, em Goiânia (Foto: Vitor 

Metade dos taxistas só tem combustível para rodar até quarta-feira, em Goiânia (Foto: Vitor Santana/G1)