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Recém-nascida tem queimaduras após ser colocada em berço com bolsas de água quente, em maternidade de Anápolis, GO

Polícia Civil investiga incidente, ocorrido na Santa Casa de Misericórdia. Pais estão desempregados; custos com pomadas e faixas já ultrapassam R$ 400.


A Polícia Civil investiga o caso de uma recém-nascida que teve queimaduras de 1º e 2º grau na Santa Casa de Misericórdia de Anápolis. Segundo o relatório da coordenação do serviço de neonatologia, Yasmin Bispo Sousa foi colocada – logo após nascer – junto a bolsas de água quente em um berço comum, porque os aquecidos estavam em uso na UTI neonatal. O caso aconteceu no dia 30 de abril, no início da tarde. A Santa Casa informou, em nota, que a bolsa de água quente não foi colocada diretamente sobre a pele da paciente, e sim em volta da mesma, afim de aquecê-la. 

O hospital afirmou ainda que, desde o momento da detecção da lesão, "prestou todo atendimento à paciente e deixou a família ciente sobre o ocorrido". A unidade de saúde também nega que a paciente teve infecção. "A paciente foi encaminhada a UTI NeoNatal, uma vez que no primeiro momento, ao se verificar a lesão em sua pele, suspeitou-se de infecção por Staphylococoos. Por tanto, na UTI foi iniciada antibioticoterapia e solicitado exames. Após o resultado dos mesmos, descartou a possibilidade da infecção, abrindo protocolo para verificação de queimadura. A paciente continuou na UTI, por precaução, até a sua alta", diz a nota da unidade de saúde. No entanto, os pais de Yasmin, o auxiliar de produção desempregado Carlos Henrique Faria e a dona de casa Sara Silva Bispo, afirmam que não foram comunicados de imediato sobre o ocorrido. “Eles nos falaram que suspeitaram de uma infecção e que fariam exames para saber o que era. Depois, passados uns dias, admitiram que era uma queimadura. Não falaram que foi eles mesmos, não falaram nada em um primeiro momento”, disse Carlos Henrique. “Eu e minha esposa íamos à UTI todo dia. Não nos deixavam ver as feridas, disseram que só os médicos podiam ver. 

Aí, quando ela recebeu alta, no dia 8 de maio, é que nos entregaram o laudo médico falando que ela sofreu a queimadura no berço” Fotos feitas pelo casal mostram as feridas na pele da bebê. Como tratamento, o hospital indicou que os curativos fossem trocados três vezes por dia. Uma médica do Hospital de Queimaduras da cidade se sensibilizou com o caso e ofereceu tratamento. Os pais afirmam, porém, que a Santa Casa não tem auxiliado nos cuidados com Yasmin. O combinado seria que uma enfermeira os ajudaria todos os dias nos curativos, mas, além de faltar esporadicamente alegando problemas com carro, a mulher teria parado de visitar a bebê no 38º dia após o parto, quando a ferida se fechou. “Ela é nossa primeira filha. Desde os primeiros dias que nasceu, ela chora de dor”, conta o pai. Indignado com o ocorrido, o casal denunciou o caso à Polícia Civil nesta quarta-feira (27), que determinou a realização de exames no Instituto Médico Legal. A família também procurou a Justiça. O caso corre na 4ª Vara Cível, com valor de R$ 60 mil. O juiz responsável é Danet Bartoccini. O hospital rebate a alegação da família e afirma que, "em parceria com o Hospital de Queimaduras de Anápolis fez o tratamento sem nenhum ônus à família, e fez o acompanhamento sistemático mesmo após a alta, com visitas periódicas a pacientes. Todo o custo em medicamento e material foi por responsabilidade da instituição". ‘Vaquinha’ para tratamento Yasmin precisa de três pomadas diferentes, e cada uma custa, em média R$ 100. Juntando todas as medicações necessárias, além de faixas para os curativos, os custos superam R$ 400. Sem dinheiro por estarem desempregados, os pais da bebê precisaram apelar para a ajuda de amigos e empréstimos. Carlos Henrique afirmou esperar punição aos responsáveis pelo ocorrido com a bebê. Ele afirmou que o casal queria ter voltado para casa "com a filha perfeita, como ela nasceu".