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Remédio que previne a aids é aprovado para adolescentes

Nos Estados Unidos, o Truvada já vem sendo utilizado pelos adultos desde 2012. No Brasil, a aprovação foi em 2017

Food and Drug Adminstration (FDA), agência responsável pela monitoramento de remédios nos Estados Unidos, aprovou nova indicação do uso do Truvada, medicamento usado como tratamento preventivo contra o HIV. Agora a medicação também pode ser utilizada por pessoas menores de 18 anos para reduzir o risco de HIV-1 – tipo mais comum da doença. O tratamento deve ser associado a outras formas de prevenção, como o uso de camisinha. 
O Truvada, que combina os antirretrovirais tenofovir e emtricitabitina, foi aprovado como medicação para profilaxia pré-exposição (PrEP) – em que há risco de contaminação – em 2012; inicialmente para adultos acima de 18 anos dentro do grupo de risco, que incluem casais gays, travestis e transsexuais, profissionais do sexo, e casais sorodiscordantes (em que apenas um possui o vírus). No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) permitiu o uso preventivo para HIV-1 em maio do ano passado. 
O tratamento funciona como bloqueio contra a entrada do vírus HIV no DNA das células de defesa do organismo, impedindo que se replique. A taxa de eficácia é de até 99%, segundo os estudos clínicos, desde que tomado corretamente. A indicação é de um comprimido, uma vez ao dia, que deve ser tomado regularmente, sem interrupções.

Uso para adolescentes

A nova indicação aconteceu com base em um ensaio clínico (ATN113) realizados em indivíduos HIV-negativos – que não possuem a doença -, entre 15 e 17 anos, com mais de 35kg.  No estudo, 61 jovens do sexo masculino não diagnosticados com HIV-1 que mantinham relações sexuais com homens receberam o remédio uma vez por dia para PrEP.
Os resultados da pesquisa demonstraram que o Truvada também é eficiente no tratamento em adolescentes vulneráveis a doença. De acordo com os pesquisadores, esta aprovação oferece uma nova ferramenta para ajudar os profissionais de saúde a diminuir a incidência do HIV em populações mais jovens.
Assim como nos estudos anteriores, realizados em adultos, algumas reações adversas foram observadas, como dores de cabeça, dores abdominais e perda de peso. Além disso, quatro participantes apresentaram redução da densidade óssea ao longo das 48 semanas de realização do estudo: três adolescentes tiveram uma redução modesta e um teve declínio maior do que 4% na semana 24.

Distribuição no SUS

No início de fevereiro, o governo estadual de São Paulo passou a oferecer o Truvada no Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com a nota, o modelo de prevenção é indicado para os grupos de risco que tenham tido relações sexuais sem uso de preservativo nos últimos seis meses.
O governo ainda prevê a distribuição para pessoas com com episódios recorrentes de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), ou que tenham usado repetidamente medicamentos de profilaxia pós-exposição (PEP). Já os casais sorodiscordantes podem receber a medicação no caso de terem feito ou mantenham relações sexuais sem uso de preservativos.
Para receber o Truvada, o indivíduo deve comparecer à unidade de referência e passar por avaliação para critérios de elegibilidade, incluindo a realização de teste rápido para diagnóstico de HIV. O tratamento será acompanhado pela equipe de saúde da unidade de referência. Os usuários devem retornar à unidade depois de 30 dias do início do tratamento; depois, o retorno deve acontecer a cada três meses.

Recomendações

Segundo a Anvisa, antes de iniciar o tratamento preventivo é necessário que o indivíduo faça o teste de HIV e receba o resultado negativo, que deve ser confirmado a cada três meses. Isso porque, em caso de infecção precoce, o uso do Truvada pode permitir que o vírus desenvolva resistência a medicações.
Além disso, o medicamento deve ser utilizado diariamente, conforme recomendação, junto com outras ferramentas de prevenção, como preservativos, uma vez que o Truvada não previne outras doenças sexualmente transmissíveis (DST).
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