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A 'sucessora' de Albert Einstein é uma garota de 25 anos

Garota prodígio ajuda a abrir nova ‘avenida’ no estudo do Universo com pesquisas sobre gravidade quântica


om apenas 14 anos, a norte-americana de origem cubana Sabrina Gonzalez Pasterski construiu seu próprio avião. Mas apenas dois anos mais tarde é que finalmente ela conseguiu pilotá-lo. Esse voo, no entanto, foi muito além do ela poderia imaginar. Estudante de escola pública em Chicago, com ajuda desse feito e de sua inteligência acima da média, ela conseguiu entrar no Instituto de Tecnologia de Massachusestts (MIT), formando-se em Física com a nota máxima. E, no doutorado em Harvard, sob orientação do físico Andy Strominger, publicou oito artigos, alguns dos quais abriram uma “avenida de estudos” para a ciência, nas palavras do professor italiano Diego Trancanelli, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), especialista na Teoria das Cordas. No ano passado, aos 24 anos, essa millenial que sequer frequenta as redes sociais, foi considerada pela imprensa estrangeira como sucessora de Albert Einstein. O grande interesse no trabalho de Pasterski teria surgido também como reflexo de um meme com sua foto, que buscava viralizar sua imagem defendendo que as pessoas conhecessem alguém considerada em Harvard como sucessora do físico alemão. “Ela é brilhante, mas de modo algum a chamaria de a nova Einstein”, afirma Trancanelli, que atribui muito de suas conquistas a Strominger, que trabalhou, entre outros, com Stephen Hawking e Malcolm J. Perry em estudo sobre aspectos quânticos de buracos negros. Com uma força gravitacional abissal, nada escaparia de ser engolido pelo buraco negro, nem mesmo a luz. Mas, desde 1974, quando Hawking descobriu que o buraco negro emite radiação após absorver um objeto, a ciência busca formas de desvendar esse mistério. E foi nas bordas de um buraco negro que a viagem de Pasterski chegou. Há quem imagine que esse ‘voo’ possa ser ainda maior, captando elementos até mesmo da possível gênese do Universo, o Big Bang. Trancanelli explica que os estudos de Pasterski defendem que a gravidade quântica, normalmente associada com fenômenos em escalas subatômicas, poderia ser codificada e ter efeitos em grandes distâncias, que talvez poderiam ser medidos com instrumentos. “É uma coisa que vai contra a intuição que foi acumulada na comunidade científica”, explica o pesquisador. “Para pensar sobre o Big Bang ou os buracos negros precisamos levar em conta efeitos quânticos e de gravitação ao mesmo tempo. E alguns desses efeitos de gravitação quântica podem ser quantificados em distâncias grandes. Eles abriram uma nova avenida de estudos.” Segundo ele, esses efeitos da gravidade quântica à longa distâncias deixa uma “memória” no campo gravitacional. Leia mais: + Astrônomos mostram que Einstein está certo até em condições extremas + Relatividade geral: uma senhora centenária Com ajuda de Pasterski, agora se cogita que a temperatura da radiação de um buraco negro, chamada de Radiação Hawking, não é a única forma de medir emissões de informações desses sistemas. Em 2016, o próprio Hawking citou dois trabalhos da garota prodígio em um estudo - em coautoria com Strominger. E, ainda, Pasterski recebeu convites de trabalho de Jeff Bezos, dono da Amazon e da fabricante de aeronaves e foguetes Blue Origin. Mais daí para chamar Pasterski de sucessora de Einstein vai um longo caminho. “Eu não atribuiria essa linha de trabalho exclusivamente à Sabrina. É difícil sem colaboração, é difícil saber de quem foi a ideia original. E os indícios apontam ser o orientador dela, o Andy Strominger, que é pesquisador com décadas de trabalho. Se eu tivesse que apostar, diria que a ideia foi do Strominger, foi ele quem deu para esses alunos contas para fazer. Isso é normal, o orientador ajuda os alunos.” Questionado por e-mail, Strominger não respondeu qual a participação efetiva de Pasterski nos estudos até agora divulgados. Ela também não respondeu aos pedidos de entrevista. Para Trancanelli, a grande repercussão em volta de Pasterski se deve ao fato de ser uma mulher de destaque nas ciências exatas, um universo dominado por homens. “Quando surge uma pessoa assim brilhante e mulher, as pessoas levantam a bola desse modo. É justo ser um modelo para outras meninas, é superimportante. E explica, em parte, tanta repercussão.” Em entrevistas no ano passado, Pasterski negou essa fama, explicando que não mereceria atenção por ser uma simples estudante. Humildade é também uma de suas qualidades.