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Suspeita de usar foto de bebê morto para pedir dinheiro na rua ameaça mãe da criança

Polícia Civil de Goiás diz que mulher também usa imagens de um outro menino, da Inglaterra, que também já morreu, para arrecadar recursos. Defesa dela diz que não vai se pronunciar sobre o caso.

Bruna de Fátima Brusda é suspeita de aplicar golpes em Goiânia (Foto: TV Anhanguera/Reprodução)


Um áudio de celular revela o momento em que Bruna de Fátima Brusda, suspeita de usar a foto de um bebê que já morreu, e com quem ela não tinha qualquer ligação, para pedir dinheiro em semáforo ameaça a mãe verdadeira da criança, Jennifer Marques Freitas Goulart, em Goiânia. Na gravação, ela diz que vai denunciar Jennifer, que ela estava “revoltada” e que o problema era da mãe por ter perdido o filho (ouça acima).


“Você vai engolir tudo isso que você falou. Engolir, entendeu? Eu vou te processar de tudo quanto é forma. Vou abrir boletim de ocorrência contra você. Se você soubesse o quanto eu estou revoltada com você. Você está me entendendo? Problema é seu se você perdeu seu filho”, disse Bruna no áudio.

Bruna prestou depoimento nesta sexta-feira (27), no 16º Distrito Policial de Goiânia. De acordo com o delegado Jacó Machado das Chagas, ao se defender, Bruna apresentou cartazes querendo provar que pedia ajuda, na verdade, para outra criança. No entanto, investigador disse que bebê da foto apresentada pela suspeita é um menino que nasceu com uma doença rara na Inglaterra e também já morreu.

Bryan Felipe nasceu com microfecalia e morreu em decorrência do problema 

“Ela disse que estava fazendo campanha para uma criança americana, uma outra criança que ela disse que tinha o mesmo nome do filho da Jennifer. Quem se sentiu lesado deve se comparecer a delegacia para presta depoimento e nós vamos investigar. Inicialmente pensávamos que havia um comparsa. Mas a segunda pessoa é dona é um carro de som que estava apenas prestando um serviço para Bruna”, afirmou o investigador.

A mulher deixou a delegacia por volta das 12h30, na saída, após ser questionada pelos jornalistas, ela preferiu permanecer em silêncio. O advogado dela, por sua vez, disse que não sabe o que ocorreu e que, por conta disto não iria se pronunciar.

“A investigação está no início ainda. Nem o delegado sabe o que aconteceu, muito menos eu. Eu não posso falar de um caso porque ele está no início. O que ela disse para mim está nos autos e eu não falo dos meus casos para a imprensa”, disse o advogado, que não se identificou.

Jhenifer afirmou, em entrevista à TV Anhanguera, que suspeita que a mulher, por meio das redes sociais, conseguiu o telefone ela e, a partir de então, começou a enviar os áudios em tom de ameaça, após receber as mensagens, ela voltou ao 16º DP para registar uma ocorrência por ameaça.

“Eu vim fazer uma ocorrência porque ela me ameaçava falando que eu estava fazendo coisa errada ia pagar por isso. Eu não a conheço e ela pegou, de má fé, fotos do meu filho da época em que fiz um pedido de ajuda para poder tentar salvar a vida dele”, contou.

Segundo o delegado, a mulher vai responder por estelionato e as pessoas que deram dinheiro para ela podem comparecer ao local para fazer denúncia. Em relação ao áudio com a ameaça, a corporação ainda vai apurar o caso.

Bryan e Alfie

O caso chegou à Polícia Civil depois que Jennifer procurou uma delegacia para denunciar que a foto do filho dela, Bryan Felipe, que nasceu com hidrocefalia e morreu em fevereiro, estava sendo usada por um casal de desconhecidos para sensibilizar motoristas e pedir dinheiro nos semáforos de Goiânia.

O bebê Alfie Evans em foto de 5 de abril de 2018 (Foto: Action4Alfie / AFP)

Jennifer conta que o bebê foi o segundo filho que a mulher perdeu por problemas de saúde. Para tentar engravidar e evitar que o novo filho também tenha problemas, é necessário uma fertilização artificial e ela fez uma campanha na internet para arrecadar dinheiro. Jennifer acredita que foi por meio dessa campanha na internet que o casal conseguiu a foto de Bryan.

No sábado (21), o padrinho da criança estava passando pelo Jardim Nova Esperança de carro quando viu um casal com a foto da criança na mão e pedindo dinheiro. “Era um cartaz enorme pedindo ajuda como se ele estivesse vivo como se fosse parente. Falava que já tinham arrecadado uma quantia em dinheiro, só que ainda não era o suficiente”, disse.

Após tomar conhecimento, identificar e ouvir a suspeita, o delegado identificou outro delito: para se justificar, Bruna apresentou a foto de outro bebê, afirmando que ele também se chamava Bryan e era para ele que ela pedia ajuda.

No entanto, segundo o delegado, trata-se de Alfie Evans, um bebê que sofria de uma rara doença neurológica e morreu em abril deste ano, na Inglaterra. Depois de quase um ano e meio de tratamento, os médicos consideravam que não havia mais esperanças para a criança se recuperar. Com o aval da Justiça britânica, o Hospital Alder Hey, de Liverpool, desconectou o suporte vital do menino. O caso mobilizou até o papa Francisco.

Questionada sobre o fato de ter apresentado a foto de outra criança que já havia morrido, Bruna se defendeu.


“Mesmo se eu estivesse dando um golpe, não é o filho da menina. Eu trabalho de locução, eu ajudo várias crianças aqui em Goiânia, não é a primeira campanha que eu ajudo”, disse.