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Perícia e novo inquérito: o que se sabe uma semana após ataque a Bolsonaro



Jair Bolsonaro (PSL) é ferido durante atividade de campanha em Juiz de Fora 

Apesar de ter identificado o autor e ter apreendido a arma do crime, a Polícia Federal trabalha sob pressão para concluir o caso do atentado ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), que completou uma semana nesta quinta-feira (13). A investigação corre em pleno calendário eleitoral, com o país afetado pelo acirramento político. A PF ainda precisa responder se o suspeito agiu a mando de outra pessoa e/ou se ele foi financiado por terceiros. Em tese, o prazo se estenderia até a primeira semana de outubro, praticamente na véspera do primeiro turno, marcado para o dia 7. Como o assunto estará presente durante toda a campanha, a PF tenta acelerar o processo. Três praças estão mobilizadas: Brasília, Belo Horizonte e Juiz de Fora (MG), a cidade onde ocorreu o ataque. Na audiência de custódia, o autor do crime, Adélio Bispo de Oliveira, afirmou que agiu sozinho. Essa é a principal linha de trabalho até o momento.


Para dar celeridade à investigação, a Polícia Federal estuda um desmembramento: o inquérito em curso se restringiria ao atentado em si e ao indiciamento de Adélio Bispo na Lei de Segurança Nacional. Paralelamente, os agentes da PF abririam um segundo inquérito a fim de investigar a possível participação de outras pessoas. Dessa forma, teriam mais tempo para continuar com as diligências e poderiam adicionar no relatório fatos a serem descobertos. A decisão ainda depende da análise da perícia dos equipamentos apreendidos em posse do criminoso (quatro celulares e um notebook). Os aparelhos foram levados à Superintendência da PF em Belo Horizonte, que vem trabalhando desde a última semana para quebrar a criptografia dos celulares, mapear e analisar as informações. A quebra de sigilo dos dados telefônicos foi autorizada pela juíza Patrícia Alencar, da 2ª Vara Federal de Juiz de Fora. O UOL apurou que a Polícia Federal já pediu também a quebra do sigilo telefônico dos celulares de Adélio. Se autorizada, a corporação terá acesso ao extrato detalhado tanto de ligações quanto de mensagens recebidas e enviadas por ele em períodos específicos. Procurada pela reportagem, a Justiça Federal em Minas Gerais disse que não pode se manifestar, porque a questão tramita sob sigilo. O trabalho é minucioso e pode levar semanas, afirmou ao UOL um policial federal lotado na cidade da Zona da Mata de Minas. Por esse motivo, dada a proximidade do primeiro turno da eleição, há grande chance de que um segundo inquérito seja instaurado. A informação foi confirmada por outra fonte ouvida pela reportagem. A arma do crime, uma faca de cozinha, também foi enviada para perícia, mas em Brasília (onde está sediado o centro de criminalística da instituição, com os melhores laboratórios). Os técnicos coletam vestígios de DNA e usam um exame que pode identificar até três digitais sobrepostas na empunhadura do artefato. O objetivo é verificar se o objeto pode ter sido passado a Adélio por uma ou mais pessoas durante a atividade de campanha na qual Bolsonaro foi ferido, na rua Halfeld, no centro de Juiz de Fora. As informações serão cruzadas com os depoimentos colhidos até o momento. Em uma semana, a Polícia Federal ouviu cerca de 20 pessoas. Paralelamente à perícia dos equipamentos, a PF solicitou a quebra do sigilo bancário de Adélio Bispo. Os agentes abriram nova frente de investigação a partir da análise de cartões de crédito e extratos bancários em nome do suspeito. Na pensão onde o criminoso estava hospedado em Juiz de Fora, a Polícia Federal encontrou um cartão de crédito internacional do Banco Itaú e dois cartões da Caixa Econômica Federal. A apreensão do material foi revelada pela revista "Crusoé" e confirmada pelo UOL. Sabe-se que, no fim do ano passado, Adélio recebeu uma indenização trabalhista de cerca de R$ 4 mil depois de firmar acordo com um ex-patrão de Balneário Camboriú (SC), cidade na qual ele esteve por um curto período. A informação foi confirmada ao UOL pelo advogado que defendeu Adélio no processo, Pedro Tiago Oliveira Santos. "Ele trabalhava como servente de pedreiro lá. Só tive contato com ele duas ou três vezes desde que entramos com o processo. O acordo foi de R$ 6 mil, mas com o abatimento dos custos processuais, ele recebeu em torno de R$ 4 mil", explicou. Além de investigar as circunstâncias da estadia de Adélio Bispo na pensão, a Polícia Federal analisa imagens de câmeras de segurança em locais por onde Adélio teria passado, como uma lan house, a rodoviária e o aeroporto de Juiz de Fora.

O caminho da faca Antes de chegar a Brasília para análise da perícia, a faca utilizada por Adélio para golpear Bolsonaro só foi encontrada em razão da ação de uma testemunha, que viu o artefato no chão e alertou a Polícia Militar. Logo após o atentado, os policiais federais presentes na cena se dividiram em duas equipes. Uma, com sete agentes que já integravam a escolta do candidato, e outra, com seis agentes da PF lotados em Juiz de Fora. Ao menos 20 policiais militares à paisana também estavam na passeata realizada em Juiz de Fora. Como Adélio não estava com a faca no momento da prisão, uma das equipes começou a vasculhar o local, situado entre as ruas Halfed e Batista de Oliveira, que estava tomado por uma multidão de apoiadores de Bolsonaro. Em dado momento, uma pessoa se dirigiu a um dos PMs e disse que havia uma faca embaixo da barraca de um comerciante. O objeto estava ensanguentado. Uma fonte ouvida pelo UOL relatou que a testemunha havia decidido chutar a faca para debaixo da barraca em vez de pegá-la com as mãos, o que eventualmente poderia criar uma situação de suspeição. Depois do relato, o PM recolheu o artefato e o protegeu com uma sacola a fim de transportá-lo à Superintendência da PF. Na versão do entrevistado, o saco preto pode ter sido decisivo para preservar a arma do crime, já que a luz do sol em geral costuma agir sobre lâminas e eventualmente atrapalhar a coleta de vestígios e evidências fundamentais ao trabalho dos peritos.

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