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Laudo confirma que causa da morte de Rayane foi asfixia por estrangulamento

Primeiro laudo divulgado do caso aponta que adolescente sofreu fratura em osso hióide, no pescoço, provavelmente em golpe mata-leão. Como ainda estava viva, assassino estrangulou Rayane com cadarço, segundo a polícia.


O delegado Rubens José Ângelo, da Delegacia de Homicídios de Mogi das Cruzes, divulgou nesta terça-feira (6) informações sobre o primeiro laudo concluído do caso Rayane. A análise dos legistas aponta que a causa da morte da adolescente de 16 anos foi asfixia mecânica por estrangulamento.

Além disso, havia uma fratura no osso hióide, no pescoço, que para o delegado foi causada pelo golpe mata-leão, confirmando o relato de Michel Flor da Silva, que segundo a polícia, confessou o crime.

Rayane ficou desaparecida por oito dias, depois de sair de uma rave em um sítio no limite entre Mogi das Cruzes e Guararema. O corpo dela foi encontrado no dia 28 de outubro. Dois dias depois, um segurança da rodoviária de Guararema foi preso após análise de imagens do circuito de monitoramento e do celular de Rayane, que foi localizado em uma área de Jacareí. As investigações mostraram que o aparelho fez uma chamada para o 190.

Segundo a polícia, ele confessou o crime, mas diz que a relação sexual foi consensual. A polícia afirma que houve estupro.

"Como ela vai consentir um ato sexual se ela já pede ajuda para a polícia? A gente não sabe se foi antes ou depois dessa relação. Eu não posso afirmar se foi antes ou depois, só ele pode afirmar. Não tem testemunha. A gente não acredita pelo estado de perigo da ligação", disse o delegado.

De acordo com o delegado, o segurança está em prisão temporária de 30 dias na cadeia de Mogi das Cruzes. Quando o inquérito for concluído e a prisão preventiva for decretada ele deve ser transferido para um Centro de Detenção Provisória. Para isso, ainda é preciso aguardar os laudos dos exames toxicológico e para indicar presença de espermatozóide. Além disso, mais testemunhas vão ser ouvidas.

De acordo com Ângelo, o laudo se adequa a história contada por Michel Flor da Silva. "Há na região do pescoço, né, a fratura do osso ióide. Esse osso hióide fica um pouco acima do pomo de adão, o que denota que essa fratura é um indício veemente de homicídio, de morte violenta. E essa fratura possivelmente tenha se dado com o golpe mata-leão", explica. "Na região do pescoço dela, ficou o sulco, é aquela marca que fica bem latente no pescoço, é do cadarço", afirma o delegado.

Michel vai responder por homicídio quadruplamente qualificado, estupro e ocultação de cadáver. De acordo com o delegado, a pena pode variar de 30 a 60 anos de prisão.

O caso
Na noite de um sábado, 20 de outubro, Rayane Paulino foi a uma festa em um sítio de Mogi das Cruzes na companhia de mais duas amigas. O pai dela a deixou na casa de uma delas.

Para as amigas, Rayane teria dito que precisava ir embora mais cedo e que o pai iria buscá-la, mas isso não aconteceu.

Na última semana, após a polícia localizar o celular que pertencia à jovem na altura do km 170 da Rodovia Presidente Dutra, em Jacareí, cães farejadores fizeram buscas em uma região de mata no entorno do local. Os animais chegaram a indicar que o corpo da jovem poderia estar em um lago.

O corpo foi encontrado no dia 28 de outubro, oito dias após o desaparecimento dela, em uma área de mata da Avenida Francisca Lerário, no bairro do Lambiri, em Guararema. A mãe da jovem, Marlene Maria Paulino Alves, reconheceu o corpo da filha, já no Instituto Médico Legal (IML) de Mogi das Cruzes, por causa do esmalte e de uma tornozeleira.

Apesar de as investigações estarem avançadas, a polícia só pode prender o segurança da rodoviária de Guararema, Michel Flor da Silva, de 28 anos, na noite de terça-feira. Segundo a polícia, o segurança confessou que matou a jovem depois de ter oferecido uma carona para ela. As investigações apontaram que houve estupro, mas homem alega que relação sexual foi consensual e que depois a adolescente "surtou".


A jovem teria saído da festa e pegado carona com um motorista de aplicativo até a Rodoviária de Guararema.

De acordo com o delegado Rubens José Ângelo, Michel estava trabalhando na rodoviária como segurança e disse à polícia que, ao ver Rayane sozinha, se ofereceu para levá-la até a casa dela.

"Michel confessa cabalmente a prática do crime. Ele diz que encontra Rayane no terminal rodoviário de Guararema e ela estava meio cambaleando. Em dado momento ela sentou em um banco naquela rodoviária", disse o delegado. "Ele ofereceu uma carona, perguntou se ela estava bem. Ofereceu uma água e ela não aceitou. Ofereceu a jaqueta para ela se esquentar. Ela também não aceitou. Daí nesse momento ele oferece uma carona", continua o delegado.

Segundo o delegado, no depoimento, Michel - que é capoeirista - afirmou que Rayane havia dito que queria curtir a noite e que ele propôs que fossem até uma balada, em Jacareí, e por isso mudaram o rumo.

"Em dado momento, no km 170 da Dutra, ele para às margens da rodovia e ali, segundo ele, ele mantém a conjunção carnal com ela", continua o delegado.

"Segundo a versão dele, que talvez seja isolada, ele disse que Rayane se arrependeu e teria dito o seguinte: 'olha o que você fez comigo, você me estuprou! Meu pai é polícia, ele vai te matar'. É uma versão dada pelo Michel, que é isolada. E, neste momento, Rayane teria dado um chute nele. E ele, seguidamente, aplicou um golpe mata-leão no pescoço de Rayane porque ele é lutador de artes marciais, capoeira, há mais de 12 anos, e ela desfaleceu", explica Ângelo.

O delegado acredita que a jovem foi violentada em Jacareí, onde o celular foi encontrado, perto de um lago.

Ainda de acordo com a polícia, Michel afirmou que, depois, levou Rayane para a área de mata em Guararema, onde o corpo foi encontrado. Ali, ele disse que asfixou a vítima usando um cadarço.


"Ele tem curso de primeiros socorros. Ele aferiu o pulso de Rayane, bem como a veia jugular do pescoço. Ela ainda estava viva. Ele vendo isso e temendo que fosse descoberto o estupro, ele pegou a bota de Rayane que estava no assoalho do banco de passageiro dianteiro, do lado de Rayane, pegou o cardarço, colocou em seu pescoço até matá-la."

O delegado Rubens José Ângelo descreve Michel como uma pessoa fria, calculista e sem arrependimento.

No período em que a jovem ficou desaparecida, o segurança chegou a comentar um post compartilhados para ajudar na localização da jovem.

Para a polícia, ele tentava um álibi.