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Defensora do meio ambiente morreu ao tentar salvar cão em Brumadinho

Vítima era secretária municipal e costumava fazer abaixo-assinados contra os impactos da atuação da Vale; velório foi acompanhado por centenas de pessoas


A advogada e secretária municipal de Desenvolvimento Social de Brumadinho (MG), Sirlei Brito Ribeiro, 47 anos, morreu ao tentar salvar sua cachorra de estimação da tragédia, segundo familiares. Advogada, Sirlei era defensora dos animais e do meio ambiente. Ela acabou ficando presa na lama de rejeitos e morrendo no local. As informações são de O Globo. O corpo de Sirlei foi velado por centenas de pessoas na manhã desta quarta-feira (30) na Câmara Municipal da cidade. O rompimento da barragem da Vale deixou 84 mortos e outros 276 desaparecidos. Sirlei vivia a cerca de 500 metros da barragem, na região do Córrego do Feijão. Segundo a família, ela convivia diariamente com funcionários da mineradora. No velório, foi lembrada como alguém que sempre ajudava a comunidade. Ela também se envolveu em abaixo-assinados contra os impactos da mina. Ela cuidava de vários animais. "Ela estava em casa com um jardineiro e uma empregada. O jardineiro nos contou que eles ouviram o barulho e viram a lama vindo. Correram. Mas ela voltou. Acreditamos que tenha ido buscar a cachorrinha. Era muito apegada", diz o cunhado de Sirlei, Eduardo Toscano, de 55 anos. Uma amiga da secretária conversou com os dois funcionários, que conseguiram fugir com vida, e eles falaram que Sirlei voltou para pegar o animal. Vizinhos de Sirlei que também conseguira escapar contam que ela ficou paralisada durante a fuga. O marido dela é engenheiro e já foi funcionário da Vale, mas deixou o ramo de minérios. Sirlei alertava para o risco tanto da poeira gerada pela atividade quando pelo risco de rompimento da barragem.

BRUMADINHO - Enquanto as buscas por vítimas continuam em Brumadinho (MG), famílias vivem o drama de velar e enterrar os mortos deixados pelo rompimento da barragem da Vale na última sexta-feira. O caso da advogada e secretária municipal de Desenvolvimento Social da cidade mineira, Sirlei Brito Ribeiro, de 47 anos, é um dos que mais tem chamado a atenção da cidade em meio ao luto. Ela era defensora dos meio ambiente e teve a chance de se salvar da tragédia, mas tentou levar consigo uma cadela de estimação e acabou ficando presa na lama de rejeitos. O velório de Sirlei reuniu centenas de pessoas na Câmara Municipal do município durante a manhã desta quarta-feira.

Lembrada por populares pela vontade de ajudar a comunidade, Sirlei morava a 500 metros da barragem, na região do Córrego do Feijão, e convivia diariamente com os funcionários da mineradora. Ela costumava fazer abaixo-assinados contra os impactos da Mina e estava sempre envolvida na luta pela melhoria de vida da população local. Eduardo Toscano lembra também que ela era muito apegada aos animais e cuidava de vários deles em casa e que militava pelo meio ambiente. — Ela estava em casa com um jardineiro e uma empregada. O jardineiro nos contou que eles ouviram o barulho e viram a lama vindo. Correram. Mas ela voltou. Acreditamos que tenha ido buscar a cachorrinha. Era muito apegada — conta o cunhado de Sirlei, Eduardo Toscano, de 55 anos. A versão dele foi confirmada por uma amiga da secretária, que também ouviu o relato dos dois funcionários. Vizinhos que também deixaram o local contam que a advogada ficou paralisada durante a tentativa de fuga e de resgate. Hoje, ela está na lista de 42 corpos já identificados pelo Instituto Médico Legal (IML) de Belo Horizonte (ao todo, são 84 mortos já localizados pelo Corpo de Bombeiros). Para a família dela, restaram a dor e a revolta. (A dor) É de centenas de pessoas. A revolta também não é só por ela, mas por todos. Sabemos agora é que a Vale é criminosa e é um crime reincidente. Quem sabe dessa vez vejamos uma postura de uma punição efetiva para este crime — desejou Toscano. O marido de Sirlei é engenheiro e já foi funcionário da Vale. Segundo parentes, após sair do ramo de minérios, ele passou a apoiar a mulher em sua luta. Seja pelos caminhões que colocavam as pessoas do Córrego do Feijão em risco (por conta da velocidade em vias rurais), seja pela poeira que afetava a saúde da população, ou pelo risco iminente de rompimento das barragens. Ela sempre pediu por mudanças efetivas por parte da empresa, mas acabou vítima do "mar de lama" que tanto tentou combater. Animais têm preocupado ativistas e autoridades O Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV-MG) informou que 36 animais já foram resgatados pela Brigada Animal em Brumadinho. A equipe realizou uma reunião de planejamento na manhã desta quarta-feira para avaliar as ações e o tratamento oferecido. As ações contam com a participação de 30 profissionais, entre médicos-veterinários, zootecnistas e voluntários, e também com a parceria da Escola de Veterinária da UFMG e da Anclivepa Minas, Sociedade Mineira de Medicina Veterinária e Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA).